No meu tempo...
É engraçado, mas no auge dos meus 22 anos, me flagrei pensando em como eram as coisas no meu tempo.
No meu tempo, o tempo custava a passar. Da hora em que saia de casa até a hora do futebol do anoitecer, passavam-se horas, que para mim pareciam dias.
No meu tempo, não ter tempo significava um dia bem vivido, daqueles que nunca mais vão acontecer. Como no dia em que tinha prova de estatística e quase não cheguei a tempo, pois a gravação da primeira música de minha “carreira” custava a terminar. “Assim não dá”, disse o professor, quando quinze minutos após o início da prova, entrava eu, suado e com a guitarra do então meu cunhado nas costas.
Quinze minutos. Da estação do metrô até a porta da escola, com direito a pausa para contemplar a bela morena do segundo ano. Tempo recorde.
No meu tempo, passava mais tempo com meus amigos, tinha menos tempo para pensar em besteiras e ficava um bom tempo sem ficar triste... Bons tempos!
Hoje, vivo em outros tempos.
Do tempo que me resta, quero passar mais tempo perdendo tempo, para recuperar o tempo perdido, e aproveitar o tempo que ainda me resta, sem nunca mais pensar no tempo, porque de tempos em tempos, vou acabar voltando no tempo.