Clichê número um...
Há vinte e dois anos atrás, após quatro longas horas de um difícil parto nascia este jovem que aqui escreve. Meu pai queria chamar-me de Jean Pierre, mas minha mãe em um ato de piedade para com o filho caçula pôs um fim na sandice de seu marido e num ato de iluminação comprou um daqueles livros: “3000 nomes para o seu Bebê” e destes 3000 nomes ela achou que eu tinha cara de Thiago.
Nos últimos anos acho que sete entre dez mães de meninos resolveram chamar seus pequenos de Thiago. São dezenas de novos Thiagos a cada minuto, mas ainda assim prefiro ser mais um na multidão a ter o peso de um Jean Pierre Ribeiro Correia Lopes na minha carteira de identidade.
Aos nove anos de idade já sabia o que queria ser quando crescer: Astronauta. Meu pai me disse que para ser astronauta eu precisava primeiro ser piloto de avião, então piloto de avião eu iria ser. Andava para lá e para cá com revistas sobre aviação e já me preparava para a vida militar quando aos dezesseis anos fiquei sabendo que pessoas com problemas de visão não podem ingressar nas forças armadas.
Dezesseis anos, recém terminado o segundo grau às vésperas do temido vestibular e eu não sabia o que fazer da vida. Fiz vestibular para história, arquitetura e turismo, mas acabei ingressando na universidade para cursar direito e dois anos foram suficientes para fazer com que eu, passasse a detestar a carreira de jurista. Então uma sucessão de coincidências trouxeram-me até o Jornalismo onde acredito ter encontrado minha paixão.
Nesses vinte e dois anos esse foi o caminho que percorri, mas isso não diz quem eu sou.
Eu sou aquele que acredita nas pequenas coisas e na diferença que elas fazem na vida de uma pessoa;
Sou aquele que sente falta dos amigos trinta segundos antes deles irem embora;
Sou aquele que morre de medo de escrever errado;
Sou aquele que pensa que sabe de tudo;
Sou aquele que sempre está procurando o que fazer;
Sou aquele que gosta de fingir, mas não leva jeito para poeta;
Sou aquele que não gosta muito do pronome Eu;
Sou aquele que se apaixona pelo gesto da menina que ele nunca viu;
Sou aquele que vai do amor ao ódio em instantes;
Sou aquele que nunca pensa antes de sentir;
Eu sou um monte de coisas, mas teimo em me sentir um nada.
A única coisa que posso afirmar sobre mim é que eu sou constante em minha mudança.